domingo, 1 de janeiro de 2012

Horas Mortais

      Em uma tarde de verão, dois amigos andavam pelo parque da cidade. Carlos se encontraria com Julia, sua namorada, e André com Karla.
     Já eram 18:00 e nem sinal das garotas. Aborrecido, Carlos disse:
     -Aff... Por que será que mulheres sempre fazem isso?
     -É, meu amigo, mulheres são mulheres, né?!
     -Ah, que saco...
     E então, os dois foram embora, já na escuridão do parque. André resolveu ligar para as garotas, agora preocupado. Mas na hora que se iniciaria a chamada, o celular tocou, e era o número de Karla. 
     Ele atendeu imediatamente, e ouviu sua voz desesperada, dizendo:
     -Amor, amor, socor...
     E então a ligação caiu.
     Completamente em pânico, ele explicou o que acontecera à Carlos que, juntamente com ele, foi correndo à delegacia para buscar ajuda.
     Uma equipe policial foi formada para iniciar as buscas. Tentaram rastrear a ultima ligação, e por sorte conseguiram. Vinha do interior do parque, e pra lá eles foram. O estranho é que o local estava totalmente vazio, ninguém se encontrava lá. Os policiais procuraram até a manhã do dia seguinte, quando resolveram abortar a missão.
     Revoltados com o ocorrido, André e Carlos resolveram fazer a própria busca que durou até a noite, quando já não tinham mais onde procurar. De repente, na escuridão do parque, André avistou um homem muito estranho, que usava uma capa sobre o corpo e segurava peças de roupa e objetos pessoais das garotas. Tal homem tinha ódio e sede de vingança estampada nos olhos. Ele começou a falar:
     -Podem dizer suas ultimas palavras, tolos!
     -Quem é você para dizer isso? -pergunta Carlos.
     -Em sou o demônio em corpo de gente, o fogo que queima em alma gelada. Eu sou a escuridão que se aloja no sangue e destroi o que nem a luz alcança.
     Amedrontado por tais falas do homem e pelo fato de ele estar com roupas das meninas, André disse:
     -Por favor, nos entregue as garotas e ficará tudo bem.
     -Para que ficar tudo bem? -diz o homem. -Eu só estou permitindo suas últimas palavras!
     Carlos então disse:
     -Então nos deixe ver as garotas.
     -Tudo bem, eu deixo. Mas depois... Há, há, há..!
     O estranho homem os levou até um local onde havia um círculo de fogo no ar, e disse:
     -Entrem aqui e as vejam.
     -Não! Não sei o que é isso, mas com certeza não entraremos aí! -Disse Carlos.
     -Você decide, Carlos. Mas você vai morrer do mesmo jeito!
     -Eu vou! -Decisão inesperada da André. -Preciso ver minha Karla!
     -Não, meu amigo, é uma armadilha!
     Mas o aviso de Carlos não adiantou, e André entrou no círculo. Nesse momento, só se via seu corpo queimando como folhas secas em uma fogueira.
     -Agora é a sua vez, Carlos.
     -Não! Eu quero apenas ver Karla e Julia e ter de volta o meu amigo!
     -Seu amigo já era, mas eu posso lhe mostrar as garotas...
     -Então me mostre! -diz Carlos, aflito.
     De repente, o maléfico homem fez uma espécie de espelho de fogo no ar e mostrou à Carlos o corpo das garotas queimando como o de André e se transformando pouco a pouco em cinzas.
     -Agora que você viu o que queria, morrerá!
     Desespero.
     Carlos saiu correndo. Enquanto o ser maléfico e misterioso corria rapidamente e lhe arremessava bolas de fogo, Carlos desviava e fazia de tudo para escapar.
     De repente, o homem apareceu à sua frente, fazendo-o parar imediatamente. Começou a falar:
     -Cansei de brincar, sua morte chagou.
     No mesmo instante, Carlos sentiu uma dor que foi se alastrando pelo seu corpo até o tomar por completo. Era tão intensa que o fez esquentar, esquentar, esquentar... Até que de repente, seus medos e culpas foram se transformando em fogo, tomando seu corpo e o fazendo queimar até a morte.
                                                       Fim.




                       A causa de tamanha maldade e o paradeiro dos corpos são coisas que nunca foram descobertas.

  

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