sábado, 8 de março de 2014

Confissão

O medo corrompe aos poucos o meu coração. 
Já não sei se o que sinto é válido o suficiente para me libertar dessa prisão que impus a mim mesma.
Como saber se posso sentir aquilo que sempre tento sentir, se no final é tudo mera ilusão?
Como posso negar algo que já esteve em mim, em determinado momento, tendo como argumento o simples fato de que sou fria?
Usar palavras para expressar sentimentos é fácil, mas se minhas palavras são vagas, então quer dizer que eu não tenho algo dentro de mim.
De fato, sou vazia. Não tenho sensibilidade alguma. E se a tenho, não sou eu quem a expressa. Talvez seja apenas um boneco oco, por onde várias almas conseguem passar.
Passam, deixam seu legado ao mundo exterior e se vão. E essa carapaça nada absorve. Talvez absorva apenas as lágrimas, e elas escorrem sem sentimento plausível.
Eu tento enganar a mim mesma, achando que vai ser diferente, mas nunca é. Sou incapaz de sentir o que gostaria, de desfrutar da beleza do tão utópico amor. 
Pra que falar tanto dele se o próprio medo me destrói por dentro? O medo de me tornar alguém além de mim, o medo de me martirizar com um sorriso estampado para a sociedade, o medo de ser feliz.
Eu sou apenas um pedaço que ocupa uma região do plano, um pedaço morto e que se desintegra parcialmente enquanto as legiões se transpassam por essas covas. Que covas? Covas vis e destroçadas. São frangalhos, apenas frangalhos. Pedaços e pedaços de sentimentos assimétricos que vagam como pássaros a cantar o som da solidão. Seria eu? Seria alguém? Estaria ouvindo algo que paira no ar? Se transpasso todas essas realidades, nada sou além disso, nada sou além do que temo, nada sou além do que procuro.

2 comentários:

  1. Devias sorrir mais..... Nada com um sorriso para curar ou ocultar o vazio ....

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  2. ^^ Eu sorrio e muito ^^ Mas o eu lírico acho que precisa mesmo.. kk Meus textos não são reflexos de mim, apenas exponho uma vida e uma mente fictícias. :)

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