segunda-feira, 24 de março de 2014

Morte Absorta

Me sinto punida pela minha própria consciência. Aqui estou, largada, vulnerável, caída... Quero seguir, ah, como quero! Mas minhas lágrimas não cessam. Elas escorrem, escorrem, escorrem... E mancham minha pele com pigmentos avermelhados de sangue. Pele esta que apodrece juntamente com meu coração.
Acredito, honestamente, que arrancar meus olhos seria uma boa solução para o problema. Assim, deles não sairiam mais lágrimas, e não estaria impedida de continuar. Todavia, mesmo que resolvido, ainda haveria outros empecilhos, como, por exemplo, minhas pernas que tanto doem devido à queda. Se eu as amputasse, talvez poderia seguir sem o risco de me levantar e, por fraqueza, novamente cair.
Diante de tantas soluções, me vejo ainda sem condição de continuar. Meu coração está apodrecido, e tenho medo de que simplesmente pare de bater e eu revolva em inconsciência até o fim dos meus dias. Quero realmente seguir em frente.
Com uma faca, transversalmente, faço um corte profundo em sua direção e o arranco. A dor será intensa, eu sei. Mas assim, somente assim, terei condições propícias a continuar seguindo e sem meios de novamente me perder na escuridão.
Deste modo, estarei pronta, e apta à minha própria salvação. Então, quando a morte vier me buscar, eu já terei morrido. Morrido sem medo se seguir em frente, sem medo de me curvar diante da derrota, sem medo de sublevar contra meu próprio paraíso, sem medo de me conflagrar em prol de um destino digno, sem medo de viver, sem medo de ser feliz.
        E aqui não mais estarei.

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