terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Pura Noite I

Em meio ao crepúsculo, em meio ao grito do silêncio
Um badalar de sino enaltecia o lugar
Lindas velas sacras rubras aguardavam o julgamento
Das lágrimas do vento que abençoavam o altar

O corpo da garota, linda, pura e emortecida,
Repousava sobre o manto sob o sol a se deitar
A criatura, preparada pra iniciar a profecia,
Recitava em monodia o som dos corvos a cantar

Ergueu as suas mãos, enegrecendo todo o céu
Cortou os olhos da garota com seu sagrado punhal
Devorou-os lentamente, sentido o incrível sabor
Do mel da inocência inextirpada pelo mal

Concluído o prelúdio, a criatura ajoelhou-se
As velas conflagraram-se e o corpo levitou
De repente, lá estavam, em meio sacro santuário
Servindo de mortuário àquela alma que expirou

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Pura Noite II

Uma tocha apagada no fundo do salão
Candelabros imórbidos sangrando pelo chão
A luz que não se atreve a pela porta entrar
E um forte vento frio que se espalha pelo ar

A noite cai tão triste que os corvos se preparam
Pra cantar o belo hino da vil degradação
Uma alma negra e fétida vem andando lentamente
Perseguida pelos rastros de sangue do salão

Sobre a mesa, o belo corpo da menina linda e pura
Os seus olhos arrancados demonstravam grande dor
Os corvos já cantavam com um grito incessante
Atormentando aquela noite de tristeza e pavor

A criatura ia chegando, preparando suas mãos
Para cumprir a profecia e aquele corpo estuprar
E na escuridão da noite, à sinistra monodia
A sagaz necrofilia foi com ela se deitar

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Buscai-me

Escuridão que me consola nas horas frias
E com ardor enxuga os prantos de minha dor
Reabrace-me n'aurora do canto do dia
E na lamúria do tempo replante a flor

Flor que nasceu no fundo de minh'alma
Naquele tempo em que eu ouvia a solidão gritar
E no fundo do abismo encontrei a calma
Em uma dor que só você conseguiu me dar

Abrace-me novamente nesta noite sombria
Pois meus olhos já não suportam enxergar a luz
Transforme-me agora e no passar dos dias
Naquilo que sou quando você me conduz

terça-feira, 31 de março de 2015

Carmem

À luz da Lua Vermelha
Ao som dos corvos a cantar
Num semblante absorto ela surge
Tão bela e tão singular

Seus trajes demonstram remorso
Seu olhar, uma pura inocência
Suas mãos, tão sujas de sangue
Trazem amor, e não penitência

Num lindo ato de paz
Num lindo gesto de glória
Ela carrega em sua memória
A imagem do corpo no altar

Os sinos agouram insanos
O céu nem de longe se vê
A Lua descansa em prantos 
Como um deus que nem mesmo em si crê

E tão bela, tão cheia de vida
Ela volta pra escuridão
Seu sorriso demonstra saudade
Das fincadas em seu coração

As horas passavam depressa
As estrelas caíam do céu
E seu lindo anjinho da guarda
A levou enrolada no véu

Fora dos eixos

Sigo o brilho da Lua nesta noite escura
Tento tirar seus olhos do meu fraco coração
As estrelas choram e me enchem de lágrimas frias
E os raios imitam o dedilhar desta canção

Sinto o cheiro da terra que molha meus pés
Tenho medo deste escuro, mas sua presença me acalma
Carrego comigo o peso de minha alma
E deixo a melodia do teu encanto me guiar

domingo, 30 de novembro de 2014

A Morte de Cada Dia

Teus olhos refletem a escuridão do mundo
Que cai com destreza pelo vil sofrimento
E o tempo, em prantos, ressoa profano
O grito, a dor, seu vago lamento

A terra, que queima, destrói tantas almas
Que entoa, em hino, sua grande ilusão
E o tempo, em prantos, ressoa profano
Escutando, incrédulo, a voz da razão

O sangue, que escorre, sorri levemente
Tão gélido e afável que ameniza a dor
Os corpos, no fogo, se arrepiam de frio
Perdidos nas asas daquele senhor

Que grita, que chora, que ri, desafia
Vendo em seus olhos a escuridão do luar
E o tempo, em prantos, ressoa profano
E vai definhando até se acabar

sábado, 13 de setembro de 2014

Sucata

Ouço o vento seco murmurar em suas vísceras
Corrompo-te, insana, com a força da própria dor
Estraçalho-te, ávida, com a graça de um ceifador
Enquanto danço sobre o fogo e te faço perder o ar

A chuva cai sobre nossos corpos e arde como pimenta
A sua carne, o seu ofego, uma dor tão suculenta
Eu procuro pelo bosque do vazio e da escuridão
Mas só encontro o teu sangue, o cérebro e o coração

Se já não pensas, não entendes, para que se preocupar
Com esta pele, estes olhos, que aqui só refletem dor (?)
E se te amo é porque sei que de mim não provém amor
Mas sim uma vontade insana de agora te destruir

E em cima de seu cadáver a mim só restará rir.

sábado, 3 de maio de 2014

Estorvo

Sobre o abismo mais profundo da mente
Sobrevoam corvos, corpos imponentes
Que atormentam com seu canto agudo
Naquele grande aterro do mundo

Sob eles, o resto, o lixo
Indignos, indigentes, bichos
Grunhindo o grito da dor
E esperando um deus de amor

Mas isso não lhes será útil
Esse culto supérfluo e fútil
Em um deus que a Deus dará 
Que nunca veio e nunca virá

domingo, 13 de abril de 2014

Sutil Mordaça

De longe, tão longe
Vasos corrompidos na sanguínea direção
Se passo, caído, um chamado, um grunhido
Não fugirei tão forte da minha própria razão

Não vejo 
Do lado, o prado tão solto
Que traz consigo o ruído 
A batida do apotrefado coração

E se bebo, tão pálido
Próspero, ácido
Não quero me libertar dessa prisão 

segunda-feira, 24 de março de 2014

Morte Absorta

Me sinto punida pela minha própria consciência. Aqui estou, largada, vulnerável, caída... Quero seguir, ah, como quero! Mas minhas lágrimas não cessam. Elas escorrem, escorrem, escorrem... E mancham minha pele com pigmentos avermelhados de sangue. Pele esta que apodrece juntamente com meu coração.
Acredito, honestamente, que arrancar meus olhos seria uma boa solução para o problema. Assim, deles não sairiam mais lágrimas, e não estaria impedida de continuar. Todavia, mesmo que resolvido, ainda haveria outros empecilhos, como, por exemplo, minhas pernas que tanto doem devido à queda. Se eu as amputasse, talvez poderia seguir sem o risco de me levantar e, por fraqueza, novamente cair.
Diante de tantas soluções, me vejo ainda sem condição de continuar. Meu coração está apodrecido, e tenho medo de que simplesmente pare de bater e eu revolva em inconsciência até o fim dos meus dias. Quero realmente seguir em frente.
Com uma faca, transversalmente, faço um corte profundo em sua direção e o arranco. A dor será intensa, eu sei. Mas assim, somente assim, terei condições propícias a continuar seguindo e sem meios de novamente me perder na escuridão.
Deste modo, estarei pronta, e apta à minha própria salvação. Então, quando a morte vier me buscar, eu já terei morrido. Morrido sem medo se seguir em frente, sem medo de me curvar diante da derrota, sem medo de sublevar contra meu próprio paraíso, sem medo de me conflagrar em prol de um destino digno, sem medo de viver, sem medo de ser feliz.
        E aqui não mais estarei.

sábado, 8 de março de 2014

Confissão

O medo corrompe aos poucos o meu coração. 
Já não sei se o que sinto é válido o suficiente para me libertar dessa prisão que impus a mim mesma.
Como saber se posso sentir aquilo que sempre tento sentir, se no final é tudo mera ilusão?
Como posso negar algo que já esteve em mim, em determinado momento, tendo como argumento o simples fato de que sou fria?
Usar palavras para expressar sentimentos é fácil, mas se minhas palavras são vagas, então quer dizer que eu não tenho algo dentro de mim.
De fato, sou vazia. Não tenho sensibilidade alguma. E se a tenho, não sou eu quem a expressa. Talvez seja apenas um boneco oco, por onde várias almas conseguem passar.
Passam, deixam seu legado ao mundo exterior e se vão. E essa carapaça nada absorve. Talvez absorva apenas as lágrimas, e elas escorrem sem sentimento plausível.
Eu tento enganar a mim mesma, achando que vai ser diferente, mas nunca é. Sou incapaz de sentir o que gostaria, de desfrutar da beleza do tão utópico amor. 
Pra que falar tanto dele se o próprio medo me destrói por dentro? O medo de me tornar alguém além de mim, o medo de me martirizar com um sorriso estampado para a sociedade, o medo de ser feliz.
Eu sou apenas um pedaço que ocupa uma região do plano, um pedaço morto e que se desintegra parcialmente enquanto as legiões se transpassam por essas covas. Que covas? Covas vis e destroçadas. São frangalhos, apenas frangalhos. Pedaços e pedaços de sentimentos assimétricos que vagam como pássaros a cantar o som da solidão. Seria eu? Seria alguém? Estaria ouvindo algo que paira no ar? Se transpasso todas essas realidades, nada sou além disso, nada sou além do que temo, nada sou além do que procuro.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Aceitação

Essa minha crença infrutífera
Não me leva a lugar algum
Eu oro por liberdade
Mas nada mais faço que me aprisionar

E se reluto, eu perco o ar

Me fortifica manter a calma
E outrora me rebelar
Mas só sei que aqui escondida
A minha alma só vai gritar

E se reluto, eu perco o ar

Em pranto vil, enxugo as lágrimas
E então desperto do encanto
E se não canto, eu perco o santo
Ele vai me abandonar

E se reluto, eu perco o ar

Assim, no espelho, vejo uma imagem
E não encontro a semelhança
Fui enganada! Perdi meu tempo!
Só o que eu quero é me libertar

Mas se reluto, eu perco o ar

Preciso de ajuda, mas não sei a quem recorrer
Todos estão alienados, e só pra cima conseguem olhar
Essa religião está nos prendendo
Então só me resta superfluamente orar

E relutando, perdi o ar.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Nefasta Elegância

Ó nefasta elegância,
Tens um brilho ígneo
Em ti jaz a beleza
Tal qual morreu em tuas mãos

Morreu naquele exato dia
Em que, em tua magesta companhia,
cravastes-me uma lança na garganta
Barrindo como uma feroz elefanta
Que com audácia protege o lar

Mas teu lar por si só era si mesma
E se protegia com tamanha destreza
Que nem perigo podia farejar

Só sei, ó nefasta elegância,
Que de ti provém tamanha arrogância
Que com leveza e lirismo apaixona
Ao mesmo tempo que destrói e destrona
E desgraças traz ao encantar

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Agonizante Destruição

Já e possível prever o sentimento que afetará os corações. O suor, o sangue descendo pelos olhos... Tudo implica a um só destino: a sede de vingança, o ódio que transparece e, límpido, transborda. Faz uma permuta entre a consciência dos seres e alega que o fim simplesmente chegou. 
As palavras, doces, incompreensíveis e altamente destrutivas, mesmo que em antítese, acabam por transformar pequenas contradições em desejo e desesperança. Aquela sensação de enfiar um alfinete debaixo da unha do dedo indicador é apenas uma demonstração de que a dor não é pouca.
        Em epílogo da sentença, este mesmo dedo cairá também.
        Por trás dos grandiosos prédios, podemos enxergar algumas manchas ou feixes vermelhos que parecem escorrer ou algo assim. Maldições assolam, afrontam, disseminam-se... 
        Esses fiéis incrédulos acabam por tentar salvar a si mesmos, mas não se lembram de que o fim é universal e compartilhado.
        O azul do céu ficou cinza, o azul do mar ficou preto. O símbolo da paz não é mais uma pequena pombinha branca e delicada, mas sim, um demônio alado com três chifres um rabo.
        Compreende-se que a agonizante destruição resultante de tantos enigmas acaba por reivindicar a transição simultânea de meros seres insignificantes.
        Esses porcos ridículos são apenas a escória desse mundo que vai se retardando gradativamente.
        Em epílogo dessa outra sentença, afirmo que o "gradativamente" já se concluiu. Chegamos ao final de uma estratégica batalha, da qual não formaram-se vencedores. Todos não passam de covardes, tolos, desgraçados pelo tempo e pela vida.
        Fecharemos nossos olhos, uniremos nossas mãos e rezaremos para que não seja tão doloroso e asfixiante. Que a morte não seja justa para os injustos e muito menos forte para os fracos.
        Pode chorar, pode até tentar suicídio se assim desejar, mas nunca se esqueça de uma coisa, que eu inclusive já te disse: o fim é universal e compartilhado, e nem você e nem ninguém tem o poder de parar essa agonizante destruição.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Meu subterfúgio

Subterfúteis são as minhas orações
E tão impuras são as frases e as razões
Onde estou que não vejo o mundo girar?
Tão infeliz que nem vou respirar

Se me questiono, aqui estou.
Subterfúgio?
Subterfúgio.
Subterfúgio.
Subterfúgio?

sábado, 17 de agosto de 2013

Reflexos

A perda muitas vezes nos faz sentir que o inferno desabou sobre nós...


           Com tantas pessoas no mundo, por que aquele enxame de desgraças escolheu logo minha família e meus amigos? Por que não me levou no lugar deles? Só posso estar pagando pelos meus pecados - ou o inferno chegou à humanidade.
           Dez dias após os acidentes e o falecimento de tantas pessoas que amava, ali estava eu; sentada sobre uma rocha, sob o brilho do luar. Lua ensanguentada, que ajudou na destruição da minha vida e aumentou minha culpa, meu sofrimento, meus pesadelos... Tudo de que eu precisava era de uma mudança, um início que me fizesse esquecer tudo e que diminuísse o fluxo das minhas lágrimas.
           Disposta a recomeçar, peguei minha bicicleta, coloquei uma roupa diferente daquela que eu havia usado naquela "uma semana e três dias", e dei o primeiro passo importantíssimo da minha trajetória - a viagem para um lugar novo, um ambiente que me pudesse proporcionar novas ideias, novas inspirações, novas lembranças...
           Pedalei sem parar durante uma hora e quinze minutos. Sempre no sentido oeste, resolvi descansar um pouco à beira de um rio de águas cristalinas e puras. A única coisa ruim é que era noite, por isso não dava para apreciar melhor sua beleza. Apesar disso, a luz da lua na água refletia, fazendo com que maior ficasse seu esplendor.
           Eu tive inveja... Ver algo tão puro e inocente... Gostaria de ser assim também, mas minhas mãos denunciavam-me. A busca pela remissão era dificílima, praticamente impossível. Percebi que meu maior erro foi ter nascido.
           Acabei adormecendo ali mesmo, e só acordei às quatro horas da manhã. Não esperei muito; logo procurei algo para comer nas árvores que havia lá perto. Consegui apenas uma manga meio verde - comê-la era minha única opção.
           Não perdi tempo; subi em minha bicicleta e prossegui rumo ao meu novo destino, já começando a próxima fase do meu futuro, que possivelmente secará as gotas de sangue que sujam meu coração já quase apodrecido.
           Passei duas horas pedalando, fiz algumas pausas somente. Pouco à frente de onde estava, avistei um pequeno bosque. Parecia mais a entrada de uma floresta. Na realidade, eu estava pedalando sobre o chão de uma estrada praticamente deserta, e o tal bosque provavelmente teria a saída para uma fazenda ou algo assim, se prosseguisse certos quilômetros adiante.
           Parei um pouco e pensei: já estava cansada, havia apreciado belas vistas, as quais ajudaram um pouco na limpeza da minha alma. De fato nada tinha a perder. Segurei mais firmemente no guidom e recomecei as pedaladas, agora seguindo rumo à "floresta".
           Apesar de o caminho até lá ser de apenas alguns 500 metros, parecia-me mais ser de 500 quilômetros. Mesmo tentando desviar o foco das memórias, ele sempre se direcionava à elas: momentos de loucura, nos quais a doença corria meu atos e destruía minha carne - as mãos tinham cheiro de sangue. As lágrimas continuavam a escorrer.
           Comecei a adentrar à mata. Não mais sentada na bicicleta, pois o caminho dificultava fazer isso. Agora eu estava em pé, segurando meu meio de transporte como se fosse uma cruz bem pesada. Minha culpa aumentava seu peso.
           Fui andando cada vez mais, até que, em determinado ponto, deparei-me com uma porta feita de espelhos. Era grande e refletia tudo de um modo consideravelmente melhor. Galhos que estavam quebrados ou secos, lá dentro esbanjavam beleza. Com certeza era uma porta atraente, e me convidava para por ela passar.
           Encostei meus dedos em sua maçaneta e pus-me a girá-la. Realmente... Eu nada tinha a perder com isso. Fechei meus olhos e a atravessei, sem qualquer medo que fosse.
           Naquele instante, tudo parecia melhorar. Senti o perfume de minha mãe passando por mim. Abri os olhos e logo me surpreendi com o que estava à frente: cenas de minha vida em todo o seu decorrer, do início à doença, que foi o fim da liberdade de minha alma.
           A princípio, vi momentos de grande alegria; eu e meus grandes amigos em um acampamento, meu pai e eu correndo pelo parque, todos sorrindo... Era simplesmente inenarrável o prazer da minha felicidade. Consegui, inclusive, sorrir, mas logo comecei a chorar. Era triste saber que eu havia destruído com minhas próprias mãos aqueles que de fato faziam com que minha felicidade existisse. Naquele dia... Naquela festa...
           Viajei por toda a minha linha do tempo, e isso foi realmente inesquecível. Quando me dei conta, estava de joelhos no chão, em prantos. Mãos tapando os olhos, comecei a me sentir tonta. Círculos psicodélicos giravam cada vez mais em cores preto e branco. Desmaiei.
           De repente, senti-me despertar. Estava deitada sobre minha cama, e ouvi bater à porta do quarto.
           -Lorena?! Está pronta? Precisamos ir logo ao supermercado para comprar as coisas da festa!
           Era a voz do meu irmão. Naquele instante, meus olhos se encheram de lágrimas. O que acontecera afinal? Como ele poderia estar vivo? Levantei-me imediatamente e corri para abraçá-lo. Foi o abraço mais feliz da minha vida.
           E de repente eu estava lá; de volta ao mundo real, dois dias antes da doença. Talvez pudesse recomeçar, e impedir que tudo ocorresse novamente...

                 ...Mas infelizmente um destino não pode ser alterado...
           

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Meu Último Adeus.

          Aqui deixo meu legado. Na verdade nem tenho legado. Meu único legado são minhas palavras, mas elas não expressam realmente o que sinto. Sinto dentro de mim uma angústia. Aliás, nem angústia consigo sentir. Dentro de mim há um vazio. E nada o pode preencher.
          Em um instante sorrio para mim mesma; outrora estou a me cortar. Meu coração está corroído, e minha mente jamais sã. (Jamais sã?)
          De minha força já não resta mais nada, nem mesmo para erguer minha cabeça e livrar-me da dor; ela me possuiu, e não há remédio que possa me exorcizar. Só o que resta, portanto, é dizer adeus e nunca mais voltar atrás. Já estou me despedindo dessa vida fútil. Estou cansada de enxergar sombras a me perseguir... De ver vultos e ouvir vozes e não poder me defender. Estou cansada de correr atrás de uma miragem chamada "Esperança". 
          Àqueles que um dia me desejaram felicidades, agradeço por tudo e peço imensas desculpas por desonrar seu desejo. Àqueles que me fizeram mal ou pelo menos me desejaram tal, agradeço por terem me feito sentir que não sou a mais medíocre do mundo - esses cretinos conseguem me superar. 
          Sem mais, já que um texto enorme não seria capaz de descrever nem um porcento do que se passa nesse pseudovazio, despeço-me aqui, e que o inferno vos aguarde.
                        Adeus.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Sotúrbulo Delírio Noturno

Procuro por um instante
Nesse frio sotúrbulo
Por um barulho que vire música
E uma música que vire barulho

E neste mesmo frio molhado
Me cai uma gota do céu
Um gato vem pelo telhado
Pisando macio como um véu

Me arrepia da cabeça aos pés
Pensar que não será sempre assim
Saber que amanhecerá
E a noite chegará ao fim

E a cada estrela que eu conto
O tempo passa mais rápido
Como o silêncio de um corpo morto
Sinto-me perdendo o tato

E no coma passei meus dias
Sonhando com um momento assim
Desperto dos meus delírios
E retorno à noite enfim.

E nessa mesmo instante eu vago
Pedindo pra que o tempo não me açoite
E no frio eco noturno me perco,
Oh, noite... noite... noite...

(Henrique Caixeta e Lorena Mendes)

Odeio-te, Corpo Maldito

Odeio-te, corpo maldito
Submerso nas águas impuras do pecado
Repletas de desordem e traição.

Odeio-te, corpo maldito,
Bastardo, imundo, hipócrita
Formado por uma alma ingrata
Predestinada ao mais arrogante inferno.

Corpo maldito, por que fizestes isto?
Já tão somente precisava viajar nos próprios fetiches
E corroer um coração enfim laçado
Pelo mais profundo e oculto amor?

Não olhe mais em meus olhos;
Eles estão inundados em lágrimas de sangue.
Destruamos nossos laços
Que amarramos com tanto zelo.

Ouça a voz dessa alma perdida
Que te fala mesmo que esteja sofrendo,
Caída.

Peço que esqueça-me, largada alma.
Procure sua outra parte
Já que eu mesma vos parti com pensamentos.

Peço também que mate-me,
Já que em meu âmago,
Mesmo com grande poder de anistia,
Consigo com frieza dizer que não 
Te perdoo. 





Anjos do Inferno

Anjos do inferno,
Lutem por suas almas.
Interrompam logo a combustão do mundo 
E entreguem-se sem hesitar ao etéreo.

Anjos do inferno,
Que insistem em esconder-se em pele humana,
Reivindiquem logo sua transição antes do fim,
Já que a eternidade depois dele
Nem aos mortos caberá.

Anjos do infinito,
Conturbados e malevolentes,
Destruam logo sua onisciência
E abandonem esses corpos amaldiçoados.

Anjos da morte,
Retirem-se tão somente do mar da hipocrisia.
Quebrem os vidros das próprias ambições
E viajem à praia mais deserta da blasfêmia.

Oh, lindos anjinhos de auréola quebrada,
Não é de meu fetio amá-los.
Portanto, saiam de minha vida.

Evoco-te e Destruo-me

Aos pés de um trono, ao som de trombetas
Derreto-me e dilacero-me em chamas.
Ouço o cantar das pragas
E deixo-me banhar de sangue.

Teu olhar sobre mim paira
Oculto na fosca penumbra.
Em tua boca um caldo vermelho,
Em minha pele marcas de dor e tortura.

Sinto em seu toque a suavidade de um anjo.
Por trás desta, a maldade de um demônio.
Teu murmurar ecoa em meu esôfago
E tua presença queima como o fogo mais ardente.

Te evoco mais uma vez à mim
E me preparo para a morte novamente.
Mesmo sabendo de tudo,
Vejo que ela me valerá à pena...

quarta-feira, 25 de julho de 2012

O Início da Maldição Prateada

Siga a sombra... Não pare de andar. Observe atentamente as estrelas. Anjos cairão do céu. Demônios também. Não tenha medo. Vença-os. Você tem esse poder. Deixe que suas asas cresçam. Elas são douradas, brilham mais que o sol. Feche seus olhos. Respire fundo. Não deixe os demônios possuírem seu corpo. Não deixe os anjos vomitarem. Seja forte. Seja você mesmo. Se sangrar, una-se ao sangue. Se lágrimas caírem, alimente-se delas. Se a carne for dilacerada, assopre. Acorde em seu túmulo, mas não perca a guerra.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Amor

Escondido em cada canto do pensamento, mas nunca omitido nos olhares, desde os mais discretos aos mais exibidos...

Horas Mortais

      Em uma tarde de verão, dois amigos andavam pelo parque da cidade. Carlos se encontraria com Julia, sua namorada, e André com Karla.
     Já eram 18:00 e nem sinal das garotas. Aborrecido, Carlos disse:
     -Aff... Por que será que mulheres sempre fazem isso?
     -É, meu amigo, mulheres são mulheres, né?!
     -Ah, que saco...
     E então, os dois foram embora, já na escuridão do parque. André resolveu ligar para as garotas, agora preocupado. Mas na hora que se iniciaria a chamada, o celular tocou, e era o número de Karla. 
     Ele atendeu imediatamente, e ouviu sua voz desesperada, dizendo:
     -Amor, amor, socor...
     E então a ligação caiu.
     Completamente em pânico, ele explicou o que acontecera à Carlos que, juntamente com ele, foi correndo à delegacia para buscar ajuda.
     Uma equipe policial foi formada para iniciar as buscas. Tentaram rastrear a ultima ligação, e por sorte conseguiram. Vinha do interior do parque, e pra lá eles foram. O estranho é que o local estava totalmente vazio, ninguém se encontrava lá. Os policiais procuraram até a manhã do dia seguinte, quando resolveram abortar a missão.
     Revoltados com o ocorrido, André e Carlos resolveram fazer a própria busca que durou até a noite, quando já não tinham mais onde procurar. De repente, na escuridão do parque, André avistou um homem muito estranho, que usava uma capa sobre o corpo e segurava peças de roupa e objetos pessoais das garotas. Tal homem tinha ódio e sede de vingança estampada nos olhos. Ele começou a falar:
     -Podem dizer suas ultimas palavras, tolos!
     -Quem é você para dizer isso? -pergunta Carlos.
     -Em sou o demônio em corpo de gente, o fogo que queima em alma gelada. Eu sou a escuridão que se aloja no sangue e destroi o que nem a luz alcança.
     Amedrontado por tais falas do homem e pelo fato de ele estar com roupas das meninas, André disse:
     -Por favor, nos entregue as garotas e ficará tudo bem.
     -Para que ficar tudo bem? -diz o homem. -Eu só estou permitindo suas últimas palavras!
     Carlos então disse:
     -Então nos deixe ver as garotas.
     -Tudo bem, eu deixo. Mas depois... Há, há, há..!
     O estranho homem os levou até um local onde havia um círculo de fogo no ar, e disse:
     -Entrem aqui e as vejam.
     -Não! Não sei o que é isso, mas com certeza não entraremos aí! -Disse Carlos.
     -Você decide, Carlos. Mas você vai morrer do mesmo jeito!
     -Eu vou! -Decisão inesperada da André. -Preciso ver minha Karla!
     -Não, meu amigo, é uma armadilha!
     Mas o aviso de Carlos não adiantou, e André entrou no círculo. Nesse momento, só se via seu corpo queimando como folhas secas em uma fogueira.
     -Agora é a sua vez, Carlos.
     -Não! Eu quero apenas ver Karla e Julia e ter de volta o meu amigo!
     -Seu amigo já era, mas eu posso lhe mostrar as garotas...
     -Então me mostre! -diz Carlos, aflito.
     De repente, o maléfico homem fez uma espécie de espelho de fogo no ar e mostrou à Carlos o corpo das garotas queimando como o de André e se transformando pouco a pouco em cinzas.
     -Agora que você viu o que queria, morrerá!
     Desespero.
     Carlos saiu correndo. Enquanto o ser maléfico e misterioso corria rapidamente e lhe arremessava bolas de fogo, Carlos desviava e fazia de tudo para escapar.
     De repente, o homem apareceu à sua frente, fazendo-o parar imediatamente. Começou a falar:
     -Cansei de brincar, sua morte chagou.
     No mesmo instante, Carlos sentiu uma dor que foi se alastrando pelo seu corpo até o tomar por completo. Era tão intensa que o fez esquentar, esquentar, esquentar... Até que de repente, seus medos e culpas foram se transformando em fogo, tomando seu corpo e o fazendo queimar até a morte.
                                                       Fim.




                       A causa de tamanha maldade e o paradeiro dos corpos são coisas que nunca foram descobertas.

  

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Desconexões

Há conexões no mundo
Que nos desconectam da realidade
E se essas conexões fossem destruídas?
Haveria, então, tamanha verdade?
                                                                      ...não sei.

A Sombra da Infelicidade

      Era um vez, uma pequena cidade no meio do deserto. Lá, as pessoas faziam oferendas ao seu Deus com a vida dos próprios moradores, normalmente os mais desprovidos de beleza. Por isso todos faziam o que fosse possível para ser belos.
      Um garoto, chamado Cruzoé, provavelmente seria o próximo a ser ofertado ao Deus Deathmor, que todas as noites aparecia no centro do deserto com aquela aparência assombrande e demoníaca.
      O garoto não era adorador de Deathmor, e muito menos o enxergava como um Deus. Mas, de qualquer maneira, ele fazia de tudo para ser bonito e ter sua vida garantida.
      A noite já chegava, e Cruzoé estava ficando com muito medo por já ter a quase certeza de que seria ofertado a demônio que eles chamavam de Deus.
      Deu meia noite, e ele estava dormindo, todo arrumado, por precaução. Mas nada adiantou: alguns vizinhos foram até sua casa, com o consentimento de seus pais, e o levaram para o meio do deserto.
      No caminho, o garoto acordou e, em pânico, começou a se movimentar em tentativas de fugir. Porém, estas fracassaram, e quando Deathmor emergiu da areia do deserto, um grande fogo se abriu, e o lançaram em seu interior.
      Cruzoé morreu, mas sua alma ficou para sempre vagando pela cidade, desfigurando a pele dos moradores e os deixando tão feios quanto...         ... Deathmor.                                          
                                                                                                                 
    
                                                                                       Fim.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Do Outro Lado da Montanha

      Há muitos anos atrás, numa estranha vila em que eu sempre vivi, acordei de um profundo sono com a trágica notícia: Tooly morreu!
      Tooly era meu gato de estimação. Nós sempre caminhávamos pelas tristes manhãs desse mundo acinzentado, que só trazia tristeza e desgosto. Mas hoje, com essa horrível notícia, caí em prantos e, sozinha, resolvi caminhar pela estrada da escuridão.
      Andei por aquele imenso bosque, que era chamado de estrada por transportar as almas perdidas que vagavam pela nossa vila até o tão escuro céu.
      Nunca tive medo, pois sabia que um dia eu também passaria por lá.
      Enquanto caminhava, eu observava como tudo era feio e destruído. Meu desejo sempre fora residir num mundo belo, com vida, com paz...
      Ao longe, observei uma grande montanha, que parecia ter uma luz em seu topo. Nessa montanha havia uma escada, que não parecia ser muito confiável para se subir.
      "Por que alguém construiria uma escada numa montanha enorme?!", me perguntei. "Mas e daí? O que me interessa nesse momento, na realidade, é subir até o topo!"
      Subi as escadas, confiante. Cada degrau em que pisava me dava um sentimento de paz.
      Chegando no topo, fiquei boquiaberta; uma imensa floresta verde e iluminada, com fadas e duendes. Toda aquela beleza me trouxe uma sensação de... simplesmente de vida!
      Decidi largar toda aquela escuridão e me joguei naquela paisagem perfeita de cima da montanha. O problema é que eu não sabia se era tudo verdade ou se era tudo...             ...ilusão.

                                                                                          Fim.

Portal Para o Inferno

      Era uma vez, uma pequena cidade no norte da maior floresta do país. Lá, moravam os ricos e famosos, sempre numa vida tranquila e pacata. Mas algo estranho estava acontecendo lá: os habitantes estavam aparecendo mortos. E o pior: dentro de um espelho.
        Ninguém entendia o que era isso, e vários se preparavam para fugir, mas quando pensavam nisso, seus corpos eram aprisionados em algum espelho por alguma coisa que assombrava a cidade.
        Os dias passavam, e amedrontados pelo mal que afetava a população, os habitantes que ainda restavam resolveram investigar o fato.
        Foi descoberto que a “maldição” - como diziam - ocorria à noite, na maioria das vezes com pessoas inteligentes.
        Esses habitantes começaram a bolar um plano para acabar com a maldição, e pensaram o seguinte:
   “1°: Ryan, por ser o mais estudioso de nós, coloca um espelho bem grande no quarto e se deita na cama com este em sua direção;
   2°: Luke instala uma câmera noturna no quarto e computadores com ligação a essa câmera;
   3°: Amadeu prepara armas na sacada das casas mais altas com mira para o quarto de Ryan;
   4°:Lady, Michael, Felix e Biska ficam responsáveis por atirar quando Mike sinalizar;
   5°: Mike comandará toda a operação.”
        A noite já chegava, e todos estavam preparados para o evento.
        11h58min. Lady, Michael, Felix e Biska observando atentamente o quarto através da mira das armas. Muito silêncio...
        Eis que uma forte luz atinge o espelho. Mas não se sabe de onde ela veio, pois era noite e a lua não brilhava tanto assim. Os atiradores ficaram atentos, só esperando o sinal de Mike.
        De repente, surge um ser sombrio de dentro do espelho. Era negro, com os olhos vermelhos, uma asa deformada pegando fogo e duas auréolas quebrada sobre a cabeça.
        Nesse momento, os atiradores já se preparavam, e quando o demônio já ia atacar, eles começaram a atirar. Mas nada adiantou: o monstro agarrou Ryan e entrou no espelho, sem ser atingido.
        Mike sinalizou para que Lady, Amadeu e Loke entrassem juntamente com ele no espelho, que ainda brilhava. Os quatro correram até lá e pularam imediatamente no grande objeto.
        Entrando lá, viram um mundo estranho, em chamas e com vários seres demoníacos que começaram a correr na direção deles. Olharam para trás, mas o espelho não se encontrava lá. Só lhes restava fugir.
        Lady, muito elegante, estava com uma sandália de  salto muito alta, mas sua elegância não foi muito vantajosa para a ocasião: quando corria, seu salto quebrou e ela caiu, dando chances de ser devorada por criaturas infernais com aparência demoníaca.
        Os outro tiveram vontade de voltar para salvar a bela Lady, mas perceberam que já não havia salvação.
        Correram muito por aquele lugar quente e sinistro, mesmo não sabendo para onde pretendiam ir.
        Ao longe, em certo ponto, eles avistaram um castelo, e Amadeu deduziu:
        -É a fortaleza do demônio!
        -Mas como você pode ter tanta certeza disso?- indagou Mike.
        -Bom, certeza eu não tenho, mas posso ter se for até lá.
        Loke estava com muito medo, e ao ouvir aquilo, se exaltou:
        -Nem pense nisso! A última coisa que devemos fazer agora é ir até lá!
        -E como você quer salvar nossos amigos? Tenho certeza que parado aqui não é! Rápido, vamos!
        Loke até pensou em impedir os dois de fazerem isso, mas viu que eles estavam certos. Os três começaram a correr rumo ao grande castelo.
        Já na entrada, debateram-se com um imenso salão em ruínas. Havia estátuas de pedra para todos os lados, e algumas até foram reconhecidas. Loke estava totalmente desesperado, e sequer conseguia falar. Tudo piorou quando, por traz deles, surgiu um imenso demônio com asas em chamas, duas auréolas quebradas sobre a cabeça e olhar assustador. Era o mesmo demônio que aparecera no quarto.
        Com um ar de deboche, a criatura começou a falar:
        -Há, há, há, há... ! Acham mesmo que vão salvar seus amigos?! Eles, que eram tão inteligentes, não conseguiram escapar daqui. Agora imagine vocês, seus tolos! Há, há, há, há!
        -Mas o que você quer com nossos amigos? –pergunta Amadeu
        -Com a inteligência dos seus amigos, eu vou expandir minha força e dominar os mundos! E agora eu já tenho quase o poder supremo, só falta o de duas pessoas. Mas três é melhor ainda... Há, há, há, há... !
        Desesperados, os três começaram a correr, tentando se esquivar das rajadas de fogo que o demônio neles lançava. Mas infelizmente, nada adiantou: ambos foram atingidos e transformados em estátuas de pedra e tendo a inteligência sugada.
        Assim, aquela grande criatura do mal completou sua força e saiu para o mundo humano. Mas nesse momento Deus desceu à Terra e, sem qualquer diálogo, os dois começaram uma batalha, que só será relatada na próxima história.
                                                                            Continua...

O Sentir da Morte

      É claro que há muitos dias bons na vida, assim como há ruins também. E muitas vezes, tem gente que diz:
      -Ah, estou meu sentindo morto (a) !
      Mesmo sabendo que é apenas um modo de falar, eu pensei nessa afirmação e deduzi que é impossível - pelo menos na minha opinião - sentir a morte.
      Daí, me questionei: "Mas por que é impossível sentir a morte?" E de acordo com meus pensamentos,  expliquei:
      "Bom, se alguém te perguntar como é a sensação de viver, o que você responde? Mas se for realmente responder, que não seja algo sem sentido e inventado apenas com a cabeça, para parecer filosófico.


 É, percebo que não dá para responder... E se essa dificuldade é de explicar algo que temos - a vida - imagine só explicar como seria a sensação de algo que não temos - a morte."
      Por aí, eu pude não exatamente concluir, mas chegar ao provisório epílogo de que a morte não pode ser sentida nem explicada mas, como a vida, ela pode simplesmente acontecer.
                                    Não sinto vida. Também não sinto morte. Apenas sinto.

Preservar o Planeta: Coisa de Velho?

      Muita gente diz que preservar o meio ambiente é coisa de velho, e que é super chato tudo isso. Mas, pelo menos pra mim, não é assim.
      Não sou velha, pelo menos acho que não... Tenho menos de 20 anos e quero salvar o mundo. Você não quer? 
      Tudo bem, pode até dizer: "Quero salvar o planeta". Mas de que adianta dizer que quer fazê-lo se na hora que acaba de colocar um chiclete na boca, por exemplo, joga o papelzinho no chão, por não ter onde o colocar?  É chato demais ficar carregando uma embalagem vazia de chiclete pra lá e pra cá, não é?! Sei bem disso.
                                        *Obs.: Bolsos não são feitos para fabricar um cachorro quente.
      Quem não tem um bolso para colocar uma embalagem vazia (fato) poderia, sei lá, carregá-lo até a lixeira mais próxima. Não quer fazer isso? O problema é seu e de quem você ama. Quando o mundo estiver prestes a acabar, quem sofrerá com isso não serão as minhas críticas, mas sim, eu, você e quem um dia você quis abraçar.

Passeio Infernal

      Certo dia, numa casa situada no norte da Vila Blenk, uma família se preparava para fazer um passeio à uma ilha chamada Deserto Tropical.
      -Já colocaram as mochilas no carro? -Pergunta Lucia, a mãe de Berilo e de Kitty.
      -Ainda não, mãe. Estou arrumando as roupas que vou levar. Eu acho que o Berilo também deveria estar fazendo isso!
      -Mas ele não está?
      -Não. Está jogado playstation! E uma hora dessas!
      Furiosa, Lucia vai até o quarto de Berilo e arranca o jogo da tomada.
      -Pô, mãe! Eu nem posso jogar um pouco de vídeo-game que a senhora já implica comigo!
      Berilo pega a sua mochila toda desarrumada e desce para a garagem.
      Depois de muita confusão, a família consegue, finalmente, iniciar a viagem.
                                               10 horas da noite. No meio da estrada
      -Não estou com um pressentimento muito bom... -Diz Lucia, colocando a mão no coração.
      -Deixa de bobagem, amor! Nada de mal pode nos acontecer, ainda mais que eu estou no volante! -Responde Mário, marido de Lucia, com ar de deboche. -E fala baixo, pois nossos filhos estão dormindo ali atrás, e se ouvirem essa bobagem podem ficar assustados.
                                                3 horas da manhã, no porto de Fisan.
      No porto de Fisan barcos levavam turistas para o Deserto Tropical. Diziam ser uma ilha muito bonita e boa para turismo.
      Enquanto descansavam da viagem no Hotel Fisan, o barqueiro que os transportaria já preparava o barco.
      Às 6 horas da manhã, todos já estavam acordados e preparados para ir à ilha. Queriam ir bem cedo, para poder ficar mais tempo lá e ir embora lá pras 5 da tarde.
      Chegando no porto, Mário avista o barco que alugara, mas não viu o barqueiro. Achou muito estranho, mas foi lá para ver de perto.
      Eis que de repente, com uma faca na mão, sai o homem de dentro do barco.
      Kitty segura firme no braço do pai, com medo de que o estranho homem lhe pudesse fazer algum mal. Ele, então, começando a passar a faca pelas cordas que prendiam o barco à madeira do porto, disse:
      -Bom dia, passageiros. Venham, entrem, pois já estou desprendendo as cordas do barco.
      Percebendo o medo desnecessário que teve, Mário deu bom dia também e entrou junto com Lucia e seus filhos no barco.
      -Bom, primeiramente, meu nome é Jeyd. Sou um barqueiro de Fisan. Tenho certeza de que o passeio de vocês será muito interessante... -Disse, com uma expressão muito estranha.
      As crianças já estavam com muito medo, pois aquele homem não parecia muito confiável. A ida ao Deserto Tropical foi em total silêncio.
      Percebendo que o barco estava indo além do destino, Lucia tomou a iniciativa de falar:
      -Jeyd, nós já passamos do Deserto Tropical. Pra onde estamos indo?
      -Pra um lugar bem mais interessante...
      -Mas nós queremos ir ao Deserto Tropical! Não à "lugares mais interessantes" !! -Diz Mário, já muito nervoso.
      Jeyd, de repente, pega sua faca e arremessa-a na direção de Mário, mas ele consegue desviar. A família já estava em pânico.
      Mário, então, consegue dar um soco na face de Jeyd, fazendo-o cair no chão. Percebendo que o barco já chegava em uma ilha, Lucia pegou no braço de seus filhos e saiu correndo para dentro da mata, fugindo do estranho homem e a espera de Mário.
      Mário conseguiu fugir. Jeyd desistiu da "persegução" e voltou para o barco.
      Assustados e desesperados, os cinco saíram correndo pela imensa floresta. Eis que, de repente, de um lugar qualquer, uma faca é arremessada e vai parar nas costas de Lucia, que cai morta no tão frio e ensanguentado chão.
      Em prantos, os quatro tiveram que sair correndo e deixar Lucia lá, pois três daqueles homens estranhos apareceram e começaram a correr em sua direção, com sangue na boca e devorando pedaços do corpo de Lucia.
       Eis que de repente, de cima de uma árvore, caem 2 homens, dizendo ser canibais e já começando a morder Keit, que acabou morrendo.
       Sobraram Mário e Berilo.
       Correndo muito, os dois tinham a esperança de conseguir fugir daquele lugar infernal. Mas de repente, com os olhos lacrimejando, Mario diz ao filho:
       -Fuja, meu filho, salve a sua vida!
       Um facão, arremessado nas costas de Mario, o faz cair imediatamente no chão, morto.
       Berilo já não sabia mais o que fazer, mas fez o que o pai pedira e tentou fugir, mesmo em prantos. Eis que, de traz de uma árvore, surge uma garota, de uns 10 anos, pedindo ajuda à Berilo. Ela dizia que seu pais haviam sido assassinados por canibais daquela ilha, e que conseguira se esconder mas não tinha pra onde ir.
      -Venha comigo, vamos tentar fugir desse lugar! -Diz Berilo.
      Os dois começaram a correr por aquela mata infernal quando, subitamente, a garota o empurra num buraco fundo e enorme. Mas Berilo, que sempre fora um menino dotado de um bom equilíbrio, conseguiu não cair, lançando a traiçoeira garota no imenso buraco. Ela também era uma canibal.
      Berilo correu muito, até que avistou um barco vazio o decidiu tentar dirigi-lo.
      Chegando lá,quando já se preparava para entrar, um homem -o barqueiro canibal- se levantou, agarrando Berilo e começando a mordê-lo.
      Berilo morre, dando fim a tamanho sofrimento.
                                            Fim.